Tentei, por muito tempo, tentar descobrir qual é a minha comida favorita. Que prato, fruta ou sobremesa, qual tempero, sabor. Se assado, cru, cozido ou mal passado. Doce, propositalmente meio amargo ou apimentado. Quente, morno, ou gelado. Tantos sabores desconhecidos e a ansiedade de escolher um único eleito, o predileto. E tantos sabores testados, tantas boas lembranças guardadas na língua. Lembrei de um bolo que fiz outro dia. Tinha vontade de comer o que houvesse de mais gostoso, sem nenhuma afetação ou restrição. Como em um crime premeditado coloquei no carrinho tudo o que precisava. Com ansiedade e saliva na boca, preparei, como quem deixa um legado, um bolo com tudo dentro. Um sonho infantil não realizado. Com pão-de-ló, morangos e amoras, chantily fresquinho, calda de chocolate e, secretamente, um pouquinho de pimenta. Lembro que era doce, e até suave. Mas o que lembro mesmo é da realização de cometer um pecado.

O desenho é da minha sobrinha Cecília.

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