Há muitos sabores aí pelo mundo para serem degustados. Mais do que posso imaginar. Infinitamente mais do que já posso ter experimentado. Sou fascinada por provar comidas desconhecidas. O risco que antecede ao toque da língua, a confusão mental quando o que parecia salgado é doce e a descoberta pelo tato e paladar que jamais será esquecida (mesmo quando a experiência desagrada. Principalmente quando desagrada).
Sou fascinada por novos sabores. Percorro as prateleiras dos supermercados, quase que diariamente, sem nenhuma objetividade na busca por algo que ainda não tenha provado. Ou de um novo ingrediente que possa repaginar a macarronada do domingo a noite. Semana passada comprei uma cebola (uma única) só por ser diferente das que já havia comido.
Mas esse desejo pela novidade na boca não é assim tão livre de preconceitos. Lembro-me, de por volta dos sete, oito anos, recusar com o estômago embrulhado e os olhos cheios de pavor uma farofa de tanajura (ou iça), uma formiga enorme e devorada como iguaria. Jamais provei tal receita e ainda não tenho a intenção de prová-la. Ainda.
No entanto, há quem prove e coma frequentemente coisas muito mais inusitadas do que farofa de formiga. O fotógrafo  e viajante profissional Neil Setchfeld, que faz fotos de dar água na boca de restaurantes, cozinhas, pratos e tudo mais que envolva o prazer de comer, decidiu registrar em livro “as comidas estranhas cosumidas ao redor do mundo”. Yuck! The Things People Eat reúne fotos feitas durante três anos e se propõe a explorar as diferenças sociais do que é considerado saboroso e repugnante em diferentes culturas. Não sei se algum dia vou ter (querer) a oportunidade de provar um rabo de canguru, esperma de bacalhau ou um mingau de sapo, mas o livro é interessante, no mínimo curioso. É uma apreciação, um estudo do diferente. Muito, muito além da farofa de tanajura.

Foto de Carey Russell

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