Uma das minhas obsessões gastronômicas, desde que me lembro, é a coxinha. A massa bem crocante por fora, macia por dentro, com o recheio de frango desfiado, bem temperado e molhadinho.

Em um determinado período a obsessão foi tamanha que o salgado entrou no menu do café da manhã. Antes da aula pedia uma no trailer em frente à escola e comia com molho de pimenta acompanhando um café com leite. Às sete e meia da manhã. A fissura era compartilhada pela minha amiga Tatiana. Juntas, combinamos de fazer um roteiro da cidade só com as melhores coxinhas. O roteiro não saiu do campo das ideias, mas nós comemos muitas coxinhas amparadas pelo projeto.

Mas há quem tenha levado a coxinha mais à sério do que eu e minha amiga. A Katia Melo criou o Coxinha Daily, blog sensacional só sobre a nossa diva com avaliações das coxinhas do mercado. Acho que já li todos os posts. “coxinha é puro amor em forma de colesterol”. Abaixo alguns trechos divertidos e bem sinceros sobre a relação com a coxinha!

“uma coxinha pode ser a salvação de tudo. assim como eu posso terminar minha noite no Joakins tomando um milk-shake duplo de Nutella pra substituir uma boa trepada que não aconteceu, posso terminar minha noite com as bees no BH, comendo aquela coxinha que honra os preceitos de comfort food e dando risada, ou posso expandir meus horizontes experimentando uma nova coxinha. tem noites em que nada funciona: a pista não tá boa, ou ninguém quer dançar, ou você quer acuendar e ninguém cola (ou até cola, só que você não pega coxinha HA), então você tem de apelar pralgum outro tipo de prazer, por isso a coxinha pode ser a salvação de tudo.”

“pra mim, a coxinha perfeita não é muito grande nem muito pequena, porque em ambos os casos ela pode se comportar muito mal num tacho de óleo. as pequenas acabam muito rápido e as grandes costumam ser muito massudas. falando em massa, essa tem de ser leve, não empastichar com saliva, bem temperada, mas não o suficiente para encobrir o sabor do recheio. em receitas avançadas, a massa se comporta como um purê, atingindo a textura prefeita, raro de se encontrar por aí. a casquinha tem de estar crocante, seja ela empanada ou não. casca mole já dá uma péssima impressão antes mesmo de eu comer. o recheio não pode ser seco, mas também não pode ser muito mingau, tem que quebrar com a mordida sem esfarelar nem melecar a beiça. os temperos podem e devem variar e se o frango estiver desfiado, a alegria é ampliada. como militante da coxinha original, acho caturpiry, requeijão ou qualquer pastoso de queijo uma trapaça para ganhar os corações frágeis por esse tipo de alimento. prova disto é a paixão geral das pessoas pela iguaria do Frangó ou do Veloso. esse tipo de aditivo é bem-vindo, eu até prefiro coxinhas com catupiry, mas achar uma boa coxinha sem composto de queijo é sempre um prêmio, assim como descolar uma coxa-creme de responsa. e coxinha que não é de frango não chama mais coxinha. chama?”

O Homem Coxinha foi criado por Juliana Cordaro. Aguardo ansiosamente pelas peripércias do apetitoso herói!

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