Eu já não era tão pequena. Na verdade, já era adolescente quando um dia meu pai chamou todo mundo na chácara pra experimentar favo de mel. Trouxe aquela caixa branca de criar abelhas, (a única que tínhamos) puxou a lâmina enorme de favo e a colocou na mesa. Havia mel pingando pra todos os lados. A minha primeira reação foi achar aquilo tudo lindo, mágico, mas como faria para comer o mel? “Coloque um pedaço na boca e mastigue feito chiclete. Um chiclete de mel”, explicou meu pai. Que sensação maravilhosa morder o favo e sentir o mel se espalhando doce pela boa e a cera se juntando, grudando aos dentes e formando um chicletinho. Depois de muito mastigar a gente cuspia o resíduo fora e pegava logo outro pedaço. Fechava os olhos e sentia a bolsinhas doces explodindo na boca. Dia desses, caminhando pela rua, achei um lugar que vende essa sensação em pedaço. Comprei pra partilhar entre amigos no trabalho. Na hora que abri e embalagem alguém perguntou: “Como se come isso?”. Como meu pai,  expliquei: “É só mastigar feito chiclete”. Todo mundo aprovou.

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