A jornalista Guenia Winitzki escreveu para a Vogue Brasil de novembro a matéria “Cuidado: curva perigosa!” sobre a tendência atual do mundo fashion em buscar mulheres com mais recheio para carregar as peças da estação em um resgate ao censo estético de beleza feminina dos anos 50 e 60. Mulheres com mais carne do que osso que se sentam à mesa e só pedem uma saladinha se for de entrada.

Difícil precisar a ordem dos fatores: a volta de estética curvilínea à cena obrigou a moda a rever seus conceitos ou foi a moda que se reiventou (como é próprio de sua essência), hypando um novo modelo de mulher ideal para “rechear” suas criações? Seja lá qual for a resposta, há uma pergunta anterior e fundamental: o que exatamente fez detonar o desejo por um corpo que se entrega mais intensamente aos prazeres mundanos, transbordando joie de vivre por cima de sutiãs que não dão mais conta de sufocar o desejo reprimido por calças tamanho zero e vestidos bandage que mal permitem respirar? A palavra escapismo, ainda que bastante desgastada pelo mal uso, se aplica perfeitamente a cenários pós-recessão econômica como este que estamos vivendo. “Um dos reflexos da crise é que passamos a buscar ‘um novo normal’ em diversas áreas, inclusive no âmbito da aparência”, explicou o sociólogo Dario Caldas, diretor da consultoria de tendências de comportamento Observatório de Sinais, à Vogue de julho passado, quando a revista detectou a então embrionária tendência. E o “novo normal” nesta primeira virada da década do milênio significa, sobretudo, redescobrir o prazer. O prazer de comer uma bela macarronada como fazia Sophia Loren, de usar roupas que valorizam as curvas, de dar uma risada de verdade, daquelas que fazem chorar a ponto de borrar o rímel”.

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