“Bacon é vida”, me disse um amigo há poucos anos e eu carrego essa sentença quase como um mantra. Uma bisteca, pancetta e lombinho também são sempre muito bem-vindos. Nunca tenho vergonha de pedir bacon extra ou qualquer derivado suíno se estiver com vontade. Nem no primeiro encontro, nem no almoço de trabalho, nem quando já passa da meia-noite. Não, não sou nenhuma glutona com gordura escorrendo entre os dedos que levanta de madrugada pra assaltar a geladeira. Sou somente uma fã declarada em tempos que gordura e açucar e todo tipo de prazer em forma de comida  se tornaram os novos vilões da sociedade.

A questão é que me dei conta do tamanho da minha paixão numa conversa com a minha avó Dilza, uma das pessoas mais engraçadas e sábias com quem já convivi. Ela adora contar pra todo mundo uma história sobre a minha infância que traduz bem minha pré-destinação.

Quando bem pequena, ainda sem a capacidade de pronunciar corretamente as palavras, fui com toda a família para a casa dos meus avós maternos, uma fazenda escondida da civilização, sem luz, chuveiro quente, TV e tudo mais que lembre qualquer traço da comum vida urbana. Conta dona Dilza que fui até ela um dia e pedi dois mil.

– Mas pra que você quer dois mil, querida? Não tem nada pra comprar aqui!

– Não, vó, eu quero dois miiiil!!!

A conversa já durava muito quando minha avó chamou meu avó, que também não entendeu. Pai, mãe, tio, tia, até que a irmã pediu que eu mostrasse onde tinha dois mil em casa. A peguei pela mão e fui até um prato cheio de torresminho.

As fotos lindas são da Kerrie McSnap.

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