Ontem teve pizzada na cozinha nova do querido amigo Raoni. Casa com três fotógrafos e, claro, nenhuma foto das massas e recheios deliciosos que ele aprendeu a fazer nos tempos que passou na Itália.

O cheiro do alho frito, do alecrim, o calor do forno e os goles de cerveja levaram, em algum momento, a conversa para um assunto completamente novo pra mim: a energia bovina. Ana Maria nos contou que certa vez fez um curso de respiração que durou cerca de uma semana. Algo como uma meditação, assim entendi. O instrutor foi claro. “Vocês precisam se livrar da energia bovina”. Segundo o professor a ingestão de carne vermelha nos provoca agressividade, nos faz agir impulsivamente, nos deixa lascivos. De acordo com relatos consta que a Ana Maria andava nervosa e ficou zen durante e depois do curso.

Certa vez li sobre a dieta sanguínea. De acordo com o método (alguém me corrija se eu estiver errada, por favor) alguns alimentos são benéficos ou maléficos de acordo com o tipo de sangue de cada pessoa. Trata-se de uma memória genética. Aparentemente o sangue “O” se dá bem com alimentos mais primitivos, como carne vermelha e leite, inimigos do meu tipo sanguíneo, o “A”.

Na Idade Média os alimentos, principalmente as carnes, preenchiam dietas baseadas em classes sociais, no tipo de vida e trabalho de cada um. Por mais estranho que pareça, havia algum sentido nessa organização alimentar aristocrata.

Tendo a achar que os sinais do corpo, como o desejo, devem merecer mais atenção. Há quem não se emocione diante de um belo filé, desses que me deixam tão feliz. Como negar um belo pedaço de gorgonzola, brie ou gruyère porque tenho um sangue moderninho?

Não, não. É o desejo, a vontade, o apetite e a sedução de um prato que guiam a minha dieta. Com energia bovina ou não. Perdoem-me se  eu ficar um pouco agressiva, impulsiva ou lasciva de vez em quando.

As imagens estão no livro Meat Club Cookbook, publicação do The Meat Club, um clube da Luluzinha de amantes da carne.

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