Era a sobremesa de sempre. Já está no meu repertório há pelo menos dois anos. Quando a responsabilidade de servir um doce após almoço ou jantar cai nas minhas mãos, ou, como foi o caso, resolvo que preciso contribuir pra não ficar só olhando e comendo, apelo pra ela. Simples, não muito doce, textura interessante, poucos ingredientes, fica pronta em pouco tempo e tem lá um toque de caseiro e uma pitadinha de glamour. Dizem por aí que uma receita é nossa depois que a executamos três vezes. Assim como as palavras. Um vocábulo entra para o nosso repertório depois que o usamos, com naturalidade, por três vezes em conversas aleatórias. É o que dizem. A sobremesa de sempre, no entanto, executada algumas tantas vezes desandou. Ficou feia, aguada, doce, sem textura, intragável. “Perdi a mão!”, pensei em quase pânico. Foi como tentar falar “defenestrar” e se perceber completamente fora de contexto. Perdi a mão!Não, não, não, não. Só preciso mesmo é deixar que cozinhem pra mim.

A foto é do Bond_4_freedom.

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