Depois de muitos anos viciada em doces descobri que meu apetite para o açúcar foi diminuido ao longo dos anos. O paladar infantil foi dando espaço para um mais curioso e refinado, mesmo que tardiamente. Ao invés de devorar uma barra inteira de chocolate ao leite me sinto feliz com uma pequena sobremesa preparada cuidadosamente e, muitas vezes, sem nenhum vestígio de chocolate, esse vilão.

Na TPM a coisa muda. Todo exagero é possível. São bombons comidos um atrás do outro em cinco minutos, meia torta de morango numa tarde de trabalho, o maior milkshake disponível no fast food, toda mistura descabida de guloseimas encontradas na dispensa de casa, um pote de sorvete há muito esquecido no congelador. Tudo devorado com imenso prazer e culpa.

Encontrei hoje o trabalho da pintora americana Lee Price em parceria com o fotógrafo Tom Moore sobre a natureza feminina. A série de pinturas é de uma beleza delicada e sincera e aborda uma relação secreta da mulher com a comida em total intimidade, solidão.

Em entrevista à revista Dazed & Confused a artista explica assim esse trabalho:

“In regard to women/food issues, I think that many women are brought up, both through our immediate families and through society, to nurture others at the expense of our own needs. We hide our appetites, not just for food but in many areas of our lives, and then consume in secret.  In some of my most recent works the women seem to be coming out of the closet, eyeing the viewer – not censoring their hunger.”

Uma das coisas mais bonitas que vi pela web nos últimos tempos. E ainda é um alento para os dias de TPM.

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